Como termina o amor?

Não aprendi dizer adeus, mas tenho que aceitar que amores vêm e vão.

filmisgod:

http://insideoutcat.tumblr.com/


Você indo embora 
e eu te olhando, de costas, diminuindo.
Meu corpo treme com a suspeita 
de que deve haver algo a fazer, 
e eu nunca acerto o quê.
Escavo na memória alguma fórmula… 
Nada! É impotente esta hora. 
Talvez eu pudesse gritar 
“fica, me dá a mão, por favor, me acode”. 
Não grito. Começo então a rezar, indecisa, 
isso, amanhã, quem sabe amanhã haja outra hora
em que eu possa, em que você… 
Mas não me acerto: sua imagem partindo, 
se esvaindo de mim, é tão concreta 
que eu duvido que amanhã você ainda exista. 
Este instante é extremo, 
eu preciso de um relâmpago 
que te traga pra meu lado.
Mas você vai embora 
e não se volta pra trás, 
me dá as costas, desaparece 
e eu vou ficando, diminuída.

Raiça Bomfim, daqui.

filmisgod:

http://insideoutcat.tumblr.com/

Você indo embora
e eu te olhando, de costas, diminuindo.
Meu corpo treme com a suspeita
de que deve haver algo a fazer,
e eu nunca acerto o quê.
Escavo na memória alguma fórmula…
Nada! É impotente esta hora.
Talvez eu pudesse gritar
“fica, me dá a mão, por favor, me acode”.
Não grito. Começo então a rezar, indecisa,
isso, amanhã, quem sabe amanhã haja outra hora
em que eu possa, em que você…
Mas não me acerto: sua imagem partindo,
se esvaindo de mim, é tão concreta
que eu duvido que amanhã você ainda exista.
Este instante é extremo,
eu preciso de um relâmpago
que te traga pra meu lado.
Mas você vai embora
e não se volta pra trás,
me dá as costas, desaparece
e eu vou ficando, diminuída.
Raiça Bomfim, daqui.
via filmisgod / 3 months ago / 18 notes /

O último dia do anoNão é o último dia do tempo.Outros dias virãoE novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.Beijarás bocas, rasgarás papéis, farás viagens e tantas celebraçõesde aniversário, formatura, promoção,glória, doce morte com sinfonia e coral,que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,os irreparáveis uivosdo lobo, na solidão.O último dia do temponão é o último dia de tudo.Fica sempre uma franja de vidaonde se sentam dois homens.Um homem e seu contrário,uma mulher e seu pé,um corpo e sua memóriaum olho e seu brilho,uma voz e seu eco,e quem sabe até se Deus…Recebe com simplicidade este presente do acaso.Mereceste viver mais um ano.Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.Teu pai morreu, teu avô também.Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras espreitam a morte,mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,e de copo na mãoesperas amanhecer.O recurso de se embriagar. O recurso da dança e do grito,o recurso da bola colorida, o recurso de Kant e da poesia, todos eles… e nenhum resolve.Surge a manhã de um novo ano.As coisas estão limpas, ordenadas.O corpo gasto renova-se em espuma.Todos os sentidos alerta funcionam.A boca está comendo vida.A boca está entupida de vida.a vida escorre da boca,lambuza as mãos, a calçada.A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.
[Carlos Drummond de Andrade]

O último dia do ano
Não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
E novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis, farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção,glória, doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.

O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus…

Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão
esperas amanhecer.


O recurso de se embriagar. 
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida, o recurso de Kant e da poesia, 
todos eles… e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.

As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
a vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

[Carlos Drummond de Andrade]

(Source: leilockheart)

via leilockheart / 4 months ago / 1,188 notes /
Hermila

ela queimou as cartas como quem corta a pele morta da ferida aberta como quem roga ao fogo que o frio não alcance os ossos e aperte a dor que não soube esconder

Daniel Farias, daqui.

Hermila

ela queimou as cartas
como quem corta a pele
morta da ferida aberta
como quem roga ao fogo
que o frio não alcance
os ossos e aperte a dor
que não soube esconder

Daniel Farias, daqui.

(Source: codeplay)

via thecharminginnocence / 5 months ago / 887 notes /
via this--too--shall--pass / 5 months ago / 2,880 notes /
via imgfave / 5 months ago / 1,503 notes /
lovequotesrus:

Photo Courtesy: flickr

lovequotesrus:

Photo Courtesy: flickr

via lovequotesrus / 5 months ago / 5,972 notes /
Ao fundo
o primeiro golpe nos revela a sombra o segundo golpe nos revela a guerra o terceiro golpe nos revela o mar

Raiça Bonfim, daqui.

Acho que esse último golpe foi o terceiro. Ansiosa pelo mar.

Ao fundo

o primeiro golpe nos revela a sombra
o segundo golpe nos revela a guerra
o terceiro golpe nos revela o mar

Raiça Bonfim, daqui.

Acho que esse último golpe foi o terceiro. Ansiosa pelo mar.

(Source: anis-ali)

via diamondsforeyes / 5 months ago / 5,100 notes /
via leilockheart / 5 months ago / 7,586 notes /
O fim do amor é uma das coisas mais universais do mundo.

Museu das Relações Terminadas.

“No Museu das Relações Terminadas têm lugar estes amores que, apesar de terem tudo para dar certo, não foram felizes para sempre”

“Desde peças normais como roupa, ursinhos de peluche, álbuns de fotografia, porta-chaves e objectos decorativos, até aos bizarros como algemas, uma prótese ou um machado. Há ainda outros repletos de emoção: um vestido de noiva e um telemóvel pessoal oferecido à ex para se certificar de que nunca mais lhe telefonaria.”

“O que seria apenas a partilha artística de uma experiência pessoal, tornou-se num símbolo de identificação universal com convites para percorrer o mundo.”
5 months ago / 1 note /
 
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